segunda-feira, 25 de março de 2013

A IMPROPRIEDADE E A DESONESTIDADE NO USO DO TERMO HOMOFOBIA



Neemias Félix

Homofobia pra cá, homofobia pra lá, e as pessoas menos avisadas vão sendo levadas na rede de arrasto e na onda daqueles que ardilosamente emprestaram a essa palavra um sentido que ela, a rigor, não tem.

Quem compulsar o Dicionário Houaiss vai encontrar uma única acepção para a palavra homofobia, que é rejeição e aversão a homossexual e a homossexualidade. E não poderia ser outra, já que o radical grego phóbos sugere horror, medo. As palavras que terminam com o pospositivo fobia designam invariavelmente psicopatias que acometem pessoas que apresentam medo doentio, pavor incontrolável, aversão, sentimento de repugnância. Até aqui, apenas a denúncia da impropriedade do termo.

A desonestidade do uso da palavra reside no fato de que a escolha não foi aleatória ou inocente. Foi infesta, dolosa. A intenção dos ativistas homossexuais é espezinhar os que consideram o homossexualismo uma perversão, um desvio moral, e assim inverter a situação. É atribuir aos que pensam diferente uma pecha, colar na sua testa um rótulo, um estigma. Como na ordem do pensamento leninista: “Acuse-os do que você faz, chame-os do que você é.” E a massa ignara assimila, repete, cristaliza a palavra maldita e lança seus impropérios, tal como fazia com os leprosos do tempo de Jesus: “Homofóbico, lá vai o homofóbico!”

Quem tem o trabalho de raciocinar um pouquinho sabe que a realidade não é essa. E os próprios números da estatística gayzista revelam a falácia, os fracos argumentos dos ativistas gays. Se houvesse realmente o índice de homofobia que eles alardeiam, os crimes contra esse grupo não ficariam em torno de apenas duzentos por ano num total de mais de cinquenta mil que, infelizmente, ocorrem numa população de quase duzentos milhões de brasileiros. Sem mencionar o fato de que mais da metade dos assassinatos envolvem as próprias paixões dessa “comunidade”. Além das drogas, é claro.

A prova maior da inexistência da propalada homofobia é a liberdade que os homossexuais têm para fazer suas passeatas pelo Brasil afora. Milhares de gays afrontam a população com suas provocações, trejeitos, indecências e ainda são patrocinados pelo Estado, esse ladrão que rouba as parcas economias da maioria hétero para atulhar os cofres dos sodomitas, sempre iracundos, vociferando aqui e ali contra tudo e contra todos.

Esses chupins das tetas do Estado ainda têm o desplante de xingar os cristãos de modo geral, zombar do Papa, ameaçar os evangélicos e dizer que são capazes de pegar em armas para defender seus “direitos”. Tudo isso, para nossa vergonha, dentro de um Congresso Nacional exânime e indecorosamente submisso aos seus caprichos.

Homofobia uma ova! O que pretende a turma do sexo fecal é tapar a boca dos discordantes, criminalizar a opinião, liberdade mais preciosa de uma democracia, e instalar a preponderância e a ditadura de uma minoria, num golpe de reengenharia social perversa e absurda.

Se esses caras vivessem no Irã ou na Arábia Saudita, por exemplo,   saberiam exatamente o que é homofobia. Aqui não, violão.







segunda-feira, 4 de março de 2013

Camarão ou Azeitona? – Recordação de seu Benvindo



Neemias Félix

Conheci Benvindo Feregueti no finzinho de 1969. Tinha eu 15 anos e trabalhava na Casa do Ciclista, uma loja de peças para bicicleta. Seu Benvindo, como era conhecido, tinha uma lanchonete bem montada, na avenida João Felipe Calmon, em frente ao Banco de Crédito Real.

Lembro-me bem daquele senhor sorridente e simpático, cabelo indefectivelmente penteado, torcedor do Fluminense, de finíssimo humor. Era um grande gozador, mas de uma ironia sutil e elegante, capaz de se sair bem em qualquer situação desfavorável, principalmente diante de torcedores fanáticos, tanto vascaínos quanto flamenguistas.

E foi assim que, garoto tímido, entrei na lanchonete certo dia para um lanche, coisa que se tornaria habitual dali para frente.

-- Um guaraná e um pastel, por favor -- fiz o pedido com os olhos baixos, o máximo que a minha terrível timidez permitia naqueles tempos adolescentes.

-- Você quer de camarão ou de azeitona?

Demorei apenas três segundos para responder.

-- De camarão, por favor.

Seu Benvindo põe no balcão o guaraná e um pires com o pastel. Bastou uma mordida para perceber o gosto característico de carne de boi. Mesmo assim, eu ainda abro o pastel, fecho um olho e confirmo: nada de camarão! Pensei logo: “Ora, isso é apenas boi ralado" -- expressão usada para nomear a carne moída. Não reclamei, mas engoli o lanche meio a contragosto. É claro que ele deve ter-se enganado. Afinal, com tantos fregueses...

Dois dias depois, a cena se repete. Guaraná, pastel, e lá vem a mesma pergunta sobre o tipo de pastel desejado. Repito mais uma vez a minha  preferência e novamente o bendito pastel com carne moída. Nenhuma reclamação.

Na terceira vez, já vou com um pé atrás. O diálogo é aquela ladainha:

--- Um guaraná e um pastel, por favor. “Já sei qual é a pergunta” – penso com meus botões. E ela não demora:

-- Quer de camarão ou de azeitona?

“Desta vez a cantiga é diferente” – penso rápido. “Vou mudar o pedido pra ver no que dá”:

-- Quero de azeitona.

-- Boa escolha – diz Seu Benvindo, sorriso mais que maroto nos lábios fluminensíssimos.

Abro o pastel e vejo mais uma vez aquele pequeno túnel com rastros claros de carne moída no seu “chão”. “Desta vez eu vou reclamar. Tenho que ter coragem. Vou dizer, sim, por que não? Não posso deixar passar.”

Aprumo o corpo, reúno toda a coragem e começo a falar, tropeçando nas palavras.

-- Seu Benvindo, o senhor me desculpe, mas, dias atrás, pedi pastel de camarão e veio de carne moída; anteontem pedi  novamente de camarão e novamente o senhor me trouxe de carne moída. Hoje resolvi, de propósito, mudar e pedi de azeitona. E o senhor me traz novamente de carne moída... Afinal, o que está acontecendo?

-- Ah, meu filho. Esqueci de te avisar: Camarão era o nome do boi, e Azeitona era o nome da vaca.

Tive que rir da espirituosidade daquele senhor tão bonachão. Além de ganhar um amigo, a partir daquele dia seu Benvindo ganhou um fã.