quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Bafômetro e Constrangimento

Neemias Félix

Li no jornal que o STJ decidiu que o motorista, mesmo aquele bebum visível e “odorificamente” embriagado, não pode ser constrangido a fazer teste de bafômetro, porque isso seria produzir prova contra si mesmo, o que é ilegal.
Como leigo em assuntos jurídicos, posso pensar que:

- devo esconder meus dedos e não ceder à exigência policial de coleta de digitais, porque mais tarde elas podem ser a prova que me obrigaram a produzir contra mim mesmo;
- devo me recusar a mostrar documento de identidade, porque por esse documento a polícia pode descobrir que pratiquei crime algures e assim, é claro, estão me obrigando a produzir prova contra mim mesmo;
-nos bancos com câmeras de vigilância, não sou obrigado a entrar e pagar minhas contas, porque eles estão me constrangendo a produzir prova contra mim, já que a obrigação de passar diante da câmera pode denunciar que já roubei outro banco.

Com um pouquinho de imaginação, vou acabar encontrando uma série de outras práticas comuns que podem ser consideradas indução e constrangimento para produzir prova contra mim mesmo.

É claro que penso assim porque sou leigo, néscio, estulto, apedeuta em questões tão complexas relativas à lei. Isso deve ficar para as mentes doutas, privilegiadas, de pessoas especiais, muito mais sábias que eu, mero e mísero mortal. Enquanto isso, fico pensando por que, quando fiz uma palestra no fórum de Linhares para motoristas flagrados pelo bafômetro, o auditório tinha cerca de 40 pessoas e, seis meses depois, as mais de 160 cadeiras já não eram suficientes para tanta gente!

É bem possível que esse aumento geométrico de motoristas embriagados se deva, entre outras coisas, às lucubrações dessas mentes brilhantes bafejadas pelos deuses e suas sapientíssimas exegeses.




sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Conceito e Preconceito


                                                                                                                   Neemias Félix

         Cada vez mais se robustece na sociedade contemporânea o pensamento de que devemos respeitar as idéias, posturas e comportamentos daqueles que pensam diferentemente de nós. Isso inclui a chamada diversidade sexual, e qualquer atitude discordante em relação àqueles que optaram pelo homossexualismo, por exemplo, é tida como preconceituosa e discriminatória.
          Creio que precisamos entender melhor o que é conceito e preconceito, sob pena de termos um preconceito às avessas, ou seja, um preconceito contra o próprio conceito. Complicou?  Então vamos tentar explicar.
           O dicionário define conceito como sendo idéia, opinião, ponto de vista, convicção. Preconceito, entre outras acepções, aparece como qualquer opinião ou sentimento favorável ou desfavorável concebido sem exame crítico. Acrescenta ainda que esse sentimento é de natureza hostil e de intolerância.
            Ora, se toda pessoa tem o direito de opinar sobre esse ou aquele assunto ou comportamento em razão de suas convicções morais ou religiosas, apressar-se a dizer que ela é preconceituosa é, também, um preconceito. Assim, manifestar-se contra o homossexualismo, por si só, não constitui preconceito algum, mas apenas conceito. Como cristão que sou, tenho direito a, com base nas minhas convicções morais e bíblicas, criticar veementemente essa opção sexual sem ferir uma única linha de qualquer lei humana que possa existir. Nem tudo que é legal é moral. Por outro lado, não posso sair por aí atirando pedras nos que pensam diferente de mim ou a espancar e matar pederastas e lésbicas. O próprio Cristo nos ensina a rejeitar o pecado e amar o pecador.
             Preocupa-me, entretanto, que a ânsia de defender os “diferentes” cerceie a manifestação de milhões de heterossexuais, que também têm o direito de usar a prerrogativa de seres únicos na criação capazes de fazer sexo frente a frente. Se me for permitido dizer, com todas as vantagens naturais anatômicas e de saúde que o Criador lhes concedeu, incluindo o direito de produzir filhos no sacrossanto ambiente familiar, esses “antiquados” homens e mulheres também podem manifestar livremente sua opinião, sem seguir a corrente que insiste em dizer que orifícios de saída de excrementos são os melhores e mais saudáveis para o intercurso sexual. Aliás, talvez não esteja longe o dia em que terão de sair às ruas para reivindicar o direito de ser homens e mulheres e fazer o que outrora  sempre foi a coisa mais natural do mundo.
             Numa sociedade em que o direito ao aborto parece ser só uma questão de tempo, dois bigodudos se beijam na boca na avenida Paulista e são aplaudidos, crianças sopram preservativos distribuídos pelo governo em sala de aula fazendo enormes balões, deputados lutam para regularizar a profissão de prostituta e casamento de gays e de  lésbicas, talvez seja interessante também lutar pelo direito ao incesto, ao estupro, à bestialidade, ao casamento de humanos com animais. Afinal, que problema há? Não é tudo uma questão de preferência sexual, de “diversidade”?
            Sodoma e Gomorra são fichinhas diante desta geração!
            Insisto na opinião de que conceito é conceito, não preconceito. 

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Poeminha do Brasileiro Desesperançado

                                        Neemias Félix

Internet é coisa boa,
Viva a comunicação!
Mas minha caixa de entrada
Parece mais um lixão!

Tem e-mails variados,
Mensagens lindas e sérias;
Porém, no presente pleito,
O melhor é tirar férias.

É tanto material,
Nenhum que eu já não conheça,
E todos com o objetivo
De me fazer a cabeça.

Um me diz que Dilma é boa,
Outro elogia o Serra,
Um terceiro faz terror; 
É uma verdadeira guerra.

É um tal disse-não-disse,
Este acusa, o outro rebate;
Às vezes tenho até medo
De que essa gente se mate.

Enquanto o eleitor briga
E o populacho dança,
O candidato já pensa
Em fazer nova aliança.

Acordos os mais esdrúxulos
Iludem nossa boa-fé,
Parecem até cruzamento
De cobra com jacaré.

Se o país pensa em melhora,
Seria bom que esquecesse,
Eles só pensam em si mesmos
E no seu próprio interesse.

Elaborar leis mais justas?
Mas que redonda bobagem!
Sua lei é a Lei do Gérson
Só pensam em levar vantagem.

Depois de tantas mensagens
E apelos de todo lado,
Mergulhei num turbilhão
E fiquei mais perturbado.

Se alguma razão me resta,
Se há alguma solução,
Só encontro este caminho
Pro dilema da eleição:

Se a Dilma é má como dizem,
E se o Serra eu não engulo,
Só vislumbro esta saída,
Que é dar meu voto nulo!