domingo, 21 de outubro de 2012

A Bem da Verdade Denotativa (1)


A BEM DA VERDADE DENOTATIVA (1)
Neemias Félix

Certas frases feitas, verdadeiros chavões da cultura comum, quando submetidas a uma análise mais criteriosa, mostram que as figuras de linguagem, como a metonímia, por exemplo, são muito importantes para a literatura, mas pouco úteis para as questões práticas da vida. Aqui vão alguns exemplos:
1.  “As estradas estão muito perigosas. Tirante os buracos e as curvas desnecessárias, na verdade, perigoso mesmo é quem está atrás do volante. A estrada quando está lá, quietinha, não faz mal a ninguém.

2. “As drogas são uma praga.” Alguém já viu a droga, sozinha, entrar no organismo de alguém? Na verdade, é a pessoa que cheira, fuma, injeta a droga no próprio corpo. A droga, sem a ação humana, não faz mal a ninguém.

3. “A sociedade, a condição social em que vivia, levaram-no a cometer esse crime...” Na verdade, a sociedade, as péssimas condições de vida, os amigos podem influenciar alguém; a decisão de fazer ou de deixar de fazer alguma coisa é sempre uma decisão do homem, prova disso é o fato de miseráveis moradores de rua devolverem vinte mil reais a seus donos. Numa entrevista, o homem disse que os princípios morais que recebeu dos pais foram determinantes para a decisão que tomou.

4. “Todos contra a dengue!”, “Vamos acabar com o mosquito da dengue!” Vamos, sim, é claro, mas vamos acabar também com o irresponsável que deixa caixas d’água e outros reservatórios abertos para os mosquitos (que não pensam) colocarem seus ovos e proliferarem...

5. “Precisamos deter essa escalada de violência.” Na verdade, nem toda violência é ruim. Certa vez, meu irmão e eu tivemos de reprimir com violência um certo parente bêbado enlouquecido que queria pôr minha porta abaixo. Apliquei-lhe uma chave de braço, derrubei-o, amarramo-lo com cordas e chamamos a polícia. A violência foi providencial. O policial que defende o cidadão de bem às vezes também pratica um ato de violência, como o ladrão que atira contra a sua vítima. A diferença é o valor moral das duas ações.

6. “Precisamos reestudar a questão do desarmamento.” Alguém já viu arma de fogo atirar sozinha? Na Suíça, quando o jovem completa vinte anos, recebe um rifle e treinamento especial. É claro que não é para sair atirando pra todo lado, o objetivo é defender a sua casa, a sua família, um direito mais que natural. Facas, facões, porretes podem ser armas poderosas. O problema, porém, não está na arma em si, mas na pessoa que a carrega. Aliás, das armas utilizadas nos crimes, quantas são devidamente registradas? Desarmar a população também foi a estratégia de Hitler e outros ditadores de regimes totalitários para dominar o povo inerme.

7. “Precisamos pensar, antes de tudo, na ressocialização do preso.” Erro crasso. Precisamos, antes de tudo, proteger os cidadãos de bem, que não cometerem crimes e já estão sofrendo as consequências de serem vítimas de quem transgrediu a lei, por favor, não inverta as coisas. Em seguida, devemos punir o infrator, e a punição deve se retributiva, sempre que possível. Depois, só depois se deve pensar em ressocialização. Precisamos de leis duras, penas duras, para desestimular o crime. Deu certo em Nova Iorque com o Tolerância Zero, que de 1994 a 2002 reduziu a criminalidade em quase 60%; tem dado certo em Cingapura.    


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