Neemias Félix
A
mulher fora operada de um tumor no cérebro. A cirurgia, delicadíssima, fora executada
com extrema mestria pelo neurocirurgião, dr. Nevral Gilles Tak
Cardia.
Em
franca recuperação, depois de treze longos dias em coma, duas paradas cardíacas,
choques altíssimos com desfibrilador e drogas potentíssimas de última geração,
além de respirar por aparelhos quase todo o tempo, a senhora se prepara para
deixar o hospital.
—
Oh, doutor, finalmente vou voltar pra casa. Foi um verdadeiro milagre, não é
verdade?
—
Bem... eu diria que...
—
Ora, doutor, o senhor não vai me dizer que não acredita em milagres...
— Acredito,
mas a verdade é que...
— A
verdade é que eu estava quase morta, doutor. Dois dias atrás, minha irmã
Furacilda foi à igreja do Apóstolo Grossonildo e conseguiu pegar uma toalhinha
ungida ainda fedendo com o suor daquele santo homem. Trouxe a bendita toalha
para o hospital e colocou na minha testa repreendendo a terrível enfermidade
que queria me levar pro cemitério. Bastaram dois dias pra eu me levantar e
agora estou aqui, firme e forte pra voltar pra casa!
Aí
o médico não se conteve:
— É
bom eu saber disso. Se algum dia a senhora voltar ao hospital com um problema semelhante,
eu vou fazer o seguinte: primeiro, vou tirar aquelas férias que não tenho há
muito tempo, já que a senhora não vai precisar de cirurgião; depois, vou mandar
os colegas aposentarem o desfibrilador, os exames, os remédios e os aparelhos
de respiração autônoma. Quem sabe até fechar a UTI.
—
Uai, doutor! O senhor não pode fazer isso!...
—
Posso, sim. Mas não tem problema: é só a senhora trazer a toalhinha!...
Moral: É
verdade que Deus faz milagres, mas Ele prefere quase sempre firmar parcerias,
principalmente com os médicos.
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