sexta-feira, 15 de junho de 2012

No Hospital


Neemias Félix

A mulher fora operada de um tumor no cérebro. A cirurgia, delicadíssima, fora executada com extrema mestria pelo neurocirurgião, dr. Nevral Gilles Tak Cardia.

Em franca recuperação, depois de treze longos dias em coma, duas paradas cardíacas, choques altíssimos com desfibrilador e drogas potentíssimas de última geração, além de respirar por aparelhos quase todo o tempo, a senhora se prepara para deixar o hospital.

— Oh, doutor, finalmente vou voltar pra casa. Foi um verdadeiro milagre, não é verdade?

— Bem... eu diria que...

— Ora, doutor, o senhor não vai me dizer que não acredita em milagres...

— Acredito, mas a verdade é que...

— A verdade é que eu estava quase morta, doutor. Dois dias atrás, minha irmã Furacilda foi à igreja do Apóstolo Grossonildo e conseguiu pegar uma toalhinha ungida ainda fedendo com o suor daquele santo homem. Trouxe a bendita toalha para o hospital e colocou na minha testa repreendendo a terrível enfermidade que queria me levar pro cemitério. Bastaram dois dias pra eu me levantar e agora estou aqui, firme e forte pra voltar pra casa!

Aí o médico não se conteve:

— É bom eu saber disso. Se algum dia a senhora voltar ao hospital com um problema semelhante, eu vou fazer o seguinte: primeiro, vou tirar aquelas férias que não tenho há muito tempo, já que a senhora não vai precisar de cirurgião; depois, vou mandar os colegas aposentarem o desfibrilador, os exames, os remédios e os aparelhos de respiração autônoma. Quem sabe até fechar a UTI.

— Uai, doutor! O senhor não pode fazer isso!...

— Posso, sim. Mas não tem problema: é só a senhora trazer a toalhinha!...

Moral: É verdade que Deus faz milagres, mas Ele prefere quase sempre firmar parcerias, principalmente com os médicos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário