Neemias Félix
Com a frase “O meu governo está diuturnamente, e até noturnamente, atento a todas as pressões inflacionárias...”, dita de maneira jocosa, a presidente Dilma revelou uma impropriedade de termo e uma confusão que a maioria das pessoas faz com o sentido da palavra diuturno. Essa palavra, que vem do latim diuturnus, nada tem a ver com dia e significa de longa duração, que vive muito tempo. Por causa dessa consonância, é muito comum alguém dizer “Estou trabalhando diuturnamente...”, querendo dizer “Estou trabalhando dia a dia, ou dia após dia para...”.
O mesmo equívoco é cometido quando a pessoa usa a palavra jovial para descrever alguém que tem disposição ou atitude de jovem. Talvez porque o jovem seja, não raras vezes, jovial. Muitos pensam que essas palavras têm o mesmo radical por causa da semelhança de sons, no entanto, a primeira vem do francês jovial, que por sua vez, vem do latim jovialis, que significa alegre, brincalhão. Jovem vem de juvenis, que nada tem a ver com jovial e sim com juvenil, juventude.
Outras confusões:
Usar pasmo em lugar de pasmado. A primeira é substantivo; a segunda, adjetivo. Assim, se eu estou espantado com alguma coisa, eu fico pasmado e não pasmo; pasmo significa espanto, assombro, portanto eu só posso ficar cheio de pasmo.
Penalizado em lugar de punido. Entre os profissionais ligados ao direito há rejeição em relação à primeira. Penalizado quer dizer condoído, triste, pesaroso; punido é o que se puniu, o apenado.
Eminente em lugar de iminente. A primeira quer dizer alto, elevado; a segunda, que ameaça acontecer, próximo. Ex.: O eminente senador corre um perigo iminente.
Meretíssimo em lugar de meritíssimo. O correto é meritíssimo, já que a palavra deriva de mérito, assim como eletricista deriva de elétrico.
De encontro a em lugar de ao encontro de. Ex.: O carro foi de encontro ao muro, mas a mensagem veio ao encontro de minhas necessidades. Aliás, se vier de encontro às minhas necessidades, será exatamente contrária a elas...
Para evitar os enganos acima, nada melhor do que 1) perguntar a quem sabe mais, e 2) consultar uma boa gramática ou um bom dicionário. Ninguém é obrigado a saber tudo, o que se pode fazer, portanto, é travar uma luta cotidiana (esta é a palavra que a presidente deveria ter usado) e fazer um esforço ingente, para errar cada vez menos.
Quando estava na ativa, sempre havia alguém que, mais fã do que aluno, gostava de me animar e dizer: “Puxa, professor, quanta coisa você sabe!” Ao que, humildemente, eu respondia: “Meu querido, eu fico impressionado é com um monte de coisas que ainda não sei!”
Aliás, parece que certo “filosofinho” grego já disse algo parecido, não?
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